ACICG integra movimento nacional que pede adiamento da implementação da Reforma Tributária


Manifesto assinado por 1.491 entidades empresariais defende que 2027 seja um período de testes, com início efetivo das novas regras a partir de janeiro de 2028

A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) está entre as 1.491 entidades empresariais de todo o país que assinaram um manifesto pelo adiamento do início da implementação da Reforma Tributária, previsto para janeiro de 2027. Liderado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), o documento foi protocolado nesta sexta-feira (6) na Presidência da República e na Secretaria da Receita Federal, vinculada ao Ministério da Fazenda.

A mobilização reúne 18 federações e 1.473 associações comerciais e empresariais do Sistema CACB. Além da ACICG, a Federação das Associações Empresariais de Mato Grosso do Sul (FAEMS) também é signatária, reforçando a participação do associativismo empresarial do Estado no debate nacional.

O principal pedido é que as etapas da Reforma Tributária previstas para 2027 sejam transferidas para 1º de janeiro de 2028, transformando o próximo ano em um período de testes, sem recolhimento efetivo dos novos tributos e com a manutenção dos impostos atuais.

A reivindicação considera a necessidade de oferecer mais tempo para que as empresas compreendam as mudanças, planejem suas operações e realizem as adequações necessárias. A preocupação é especialmente relevante para micro e pequenas empresas, que geralmente não contam com a mesma estrutura fiscal e contábil das grandes organizações.

“A Reforma Tributária representa uma das maiores transformações no ambiente de negócios brasileiro das últimas décadas. É fundamental que essa mudança aconteça, mas também é necessário garantir que as empresas tenham condições de se preparar. Especialmente para os pequenos negócios, que não dispõem de grandes estruturas administrativas e contábeis, um prazo maior é importante para compreender as novas regras, avaliar os impactos e fazer as adequações necessárias. O que defendemos é uma transição responsável, com segurança jurídica e previsibilidade para quem empreende, gera empregos e movimenta a economia”, afirma o presidente da ACICG, Omar Aukar.

Prazo e segurança jurídica preocupam o setor empresarial

Entre os argumentos apresentados no manifesto está o fato de que etapas importantes da regulamentação ainda estão em andamento. O documento destaca que o regulamento da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), por exemplo, foi publicado em abril, com 620 artigos, e que novas definições ainda são aguardadas.

Outro ponto de atenção é o calendário. A definição da alíquota de referência da CBS pelo Senado Federal tem prazo até 15 de dezembro. Caso a data seja utilizada integralmente, as empresas terão pouco mais de duas semanas para avaliar os impactos, revisar preços e renegociar contratos antes do início de janeiro de 2027.

O manifesto também chama a atenção para os desafios enfrentados pelas empresas optantes pelo Simples Nacional, que precisam tomar decisões sobre a forma de recolhimento dos novos tributos sem conhecer integralmente seus impactos.

A CACB ressalta que o movimento não representa oposição à modernização do sistema tributário brasileiro, mas defende que a transição aconteça com responsabilidade, previsibilidade e segurança jurídica, garantindo condições para que o setor produtivo se adapte às novas regras.

Para as entidades signatárias, o adiamento de um ano permitirá que os empresários tenham mais tempo para compreender as mudanças e preparar seus negócios, reduzindo riscos e evitando que a implementação de uma transformação dessa dimensão comprometa o planejamento e a competitividade das empresas brasileiras.

O manifesto na íntegra está disponível neste link: https://cacb.org.br/wp-content/uploads/2026/11/Manifesto-pelo-adiamento-da-reforma-tributaria.pdf .