Programa da ACICG auxilia na internacionalização de empresas da Capital

Pequenas empresas podem investir no mercado externo.

Mato Grosso do Sul se abriu a novas perspectivas empresariais do mercado internacional com a viabilização da Rota de Integração Latino-Americana (Rila), um corredor entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para escoar a produção nacional ao mercado asiático por meio dos portos chilenos. O projeto, que começa a concretizar em 2018, aproximará as relações sociopolíticas e econômicas entre os países envolvidos, promovendo o desenvolvimento e mais investimentos em seus territórios.

E para ampliar o mercado de atuação dos seus associados, a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) lançou o Progiex – Programa de Promoção da Internacionalização e do Comércio Exterior -, e está selecionando empresas da Capital para participarem do projeto, que nasceu da execução do convênio de cooperação internacional, assinado em novembro de 2017, com a empresa chilena Cyties – Investigación y Desarrollo.

A iniciativa, além de expandir para uma nova escala o comércio local, colabora para mudar uma estatística nacional. O economista-chefe da ACICG, Normann Kallmus, revela que o Brasil tem uma participação na cadeia de comércio internacional de aproximadamente 1%, o que sinaliza que a internacionalização de economia deve ser encarada como uma necessidade e não apenas oportunidade.

“Temos o hábito de só pensar no mercado doméstico e insistimos em defender medidas protecionistas para restringir o acesso de concorrentes ao nosso mercado, esquecendo-nos que deveríamos estar competindo pelos mercados do mundo todo e reduzindo a fragilidade de estarmos em um só local. Quando o Brasil entrou sozinho na maior crise da sua história, nossas empresas teriam sofrido muito menos, e, portanto, a crise teria sido muito menor, se tivéssemos uma participação importante do comércio exterior entre nossos clientes” avalia Normann.

Diversificação de mercado, aumento dos ganhos, elevação da produção e economia nos impostos são algumas vantagens para quem investe na internacionalização de seu negócio. “Na exportação de produtos e serviços não há incidência de tributos, portanto, essa é uma grande chance de deixar de pagar impostos de forma legal”, acrescenta.

É para pequenas empresas também

Conquistar o mercado externo não é apenas para grandes empresas, mas, também, para as micro e pequenas. Kallmus explica que não se pode justificar a não participação das empresas no comércio exterior por conta de seu tamanho. “Se é verdade que o Brasil não tem o mais simples processo de exportação, a imensa demanda dos mercados internacionais compensa, com muita folga, as eventuais dificuldades. Aliás, os mercados mais desenvolvidos procuram cada vez mais produtos exclusivos. Se forem feitos por pequenas empresas, mas tiverem qualidade, então, ainda melhor”, avalia.

Alguns desafios, como a falta de equipamentos ou de capital de giro, também podem ser ultrapassados buscando auxílio no mercado externo. “Pouca gente sabe, mas, se um equipamento importado se destinar à produção para exportação, outra vez a empresa tem uma ótima oportunidade de dar a volta por cima e até importar máquinas com suspensão de impostos. Sobre o capital de giro, existe ainda outra informação: há excesso de liquidez no mundo, ou seja, quando você sai do nosso mundinho tupiniquim, tem muito mais gente querendo emprestar dinheiro do que empresários querendo tomar o recurso emprestado”, explica o economista.

Outro destaque dado por Normann com relação a internacionalização é a mania nacional de dizer que só a exportação é interessante. “É uma herança dos governos militares que propagavam o slogan “exportar é o que importa”. Essa visão maniqueísta desconsidera o fato de que o que realmente vale é o resultado final, portanto, se o insumo puder ser importado, gerando melhores condições de produção, com menores custos, isso tem um impacto positivo em toda a cadeia, inclusive, melhorando a capacidade de exportação, reduzindo preços, ampliando mercados”, analisa.

Apoio em Campo Grande

O Progiex desenvolvido pela ACICG tem por finalidade a criação da Plataforma de Fomento Para a Exportação orientada a aumentar e consolidar uma massa crítica de empresas exportadoras de bens, serviços, tecnologias e conhecimento para os mercados que compõem os corredores bi oceânicos e a Zona de Integração do Centro Oeste Sul-americano (Zicosur). A Cyties prestará um serviço de estudo de mercado aos associados da ACICG. A expectativa é de que pelo menos 1 mil empresas participem desse estudo.

“Nosso objetivo é aumentar a participação das empresas associadas na dinâmica do comércio exterior mediante a ativação, fomento e desenvolvimento de seu potencial exportador nos mercados internacionais, bem como a densidade e intensidade do tecido empresarial no total de vendas, gerando processos de rentabilização econômica, competitividade empresarial, dinamização do processo de desenvolvimento econômico territorial, promoção dos processos de diversificação produtiva e liderança territorial, reforçando o posicionamento estratégico e sustentabilidade institucional da ACICG”, explica o economista-chefe da entidade, Normann Kallmus.

O Progiex é um benefício exclusivo para as empresas associadas à ACICG. “Estamos sempre em busca de novas alternativas para o nosso empresariado, especialmente para os micro, pequenos e médios. Desde o ano passado temos trabalhado fortemente pela internacionalização das empresas, e num futuro próximo levaremos os produtos de Campo Grande para outros países. Esse trabalho para reconhecer quais são as deficiências de cada empresa para importar e exportar produtos é importantíssimo, e a partir daí atuaremos para que ela possa vencer todas as etapas e realizar transações de forma a atingir um mercado que é tão próximo da gente, mas que está tão longe do alcance do nosso empresário, como nossos vizinhos do Mercosul, por exemplo. Assim, convidamos todos os nossos associados a participarem ativamente desta iniciativa inédita, melhorando as condições de competitividade das nossas empresas”, destacou o presidente da ACICG, João Carlos Polidoro.

Ao participar do programa, a empresa terá acesso aos seguintes produtos:

  • Pesquisa de potencial exportador de sua empresa (digitalizada).
  • Inserção no ranking de potencial exportador das empresas associadas da ACICG.
  • Informe das deficiências para exportação de sua empresa.
  • Plano de gestão para superação das deficiências.
  • Relatórios de oferta pública de programas e projetos.
  • Associação ao Centro de Inteligência de Negócios Internacionais Zicosur – Ásia Pacífico da Cyties Investigación & Desarrollo.

Para fazer a pré-inscrição da empresa, o empresário deverá completar a ficha de inscrição no projeto e enviá-la ao e-mail economia@acicg.com.br. Após a inscrição serão agendadas reuniões nas dependências da ACICG para aplicação do teste de potencial exportador, instrumento que permitirá determinar as deficiências para a exportação e negócios internacionais de sua empresa, com o qual serão desenvolvidos um ranking e um plano de gestão, e que serão entregues aos participantes. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (67) 3312-5000.