Índice de Negativação do Comércio se mantém estável na Capital

Julho apresentou redução de 1.155 títulos no estoque de inadimplidos; em julho de 2016 a queda foi de 1.828 títulos

O Índice de Negativação do Comércio (INC) apurado pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) encerrou o mês de julho em 31 pontos, um abaixo do indicador de junho (32), e nove pontos acima do mesmo mês em 2016 (22). Já o Índice de Recuperação de Crédito (IRC) de julho foi de 67 pontos, contra 55 em junho, e ficou nove pontos acima do índice registrado no mesmo período de 2016, que foi 58 pontos.

Metodologia – Considerando que a sazonalidade é uma característica da atividade comercial, tanto o INC quanto o IRC foram desenvolvidos com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. Portanto, os valores acima de 100 pontos são os que ultrapassam a média obtida no ano de 2014, e os valores abaixo de 100 estão aquém da média.

“É, sem dúvida, uma boa notícia se tomada isoladamente, mas ainda assim, não parece um comportamento muito consistente. A linha vermelha do gráfico continua nos níveis históricos apresentados antes de 2014, sinal de que estamos deixando para trás a irresponsabilidade financeira, mas não é conveniente descartar os cuidados convencionais”, alerta o economista da ACICG, Normann Kallmus.

O IRC/ACIGC, no gráfico representado pela linha verde, em julho de 2017 foi de 67, contra 55 em maio. “Não é clara a razão para tal comportamento, mas pode-se especular que exista alguma relação com a liberação do FGTS. Outro aspecto a destacar e que teve repercussão positiva foi a campanha de recuperação do crédito realizada no mês de junho”, lembra Kallmus.

Como resultado, o mês de julho apresentou uma redução de 1.155 títulos no estoque de inadimplidos. Em julho de 2016 a queda foi de 1.828 títulos. Nos primeiros sete meses do ano, houve crescimento de 6.012 títulos vencidos e sem pagamento.

O economista explica que, caso sejam retomadas as contratações, a expectativa é que se consolide a recuperação do crédito. “A redução da inflação e a consequente queda das taxas de juros básicos, também deverão trazer resultados positivos nesse aspecto, vez que possibilitará melhores condições de financiamento e composição das dívidas dos consumidores”.

Ele completa chamando a atenção para um aspecto que poderá ter importância no segundo semestre: a autorização legal para que o comerciante aplique preços diferentes dependendo da forma de pagamento. “É o reconhecimento óbvio do custo adicional da transação com cartões de crédito. O que não parece arrefecer é a disposição do governo para aumentar a tributação para atender às insaciáveis necessidades criadas pelo Congresso. A mais recente, e que deverá causar grande impacto negativo junto à opinião pública, é a perspectiva da criação do fundo partidário de R$3,6 bilhões”, finaliza.