ACICG alerta para impactos econômicos do fim da escala 6×1

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado, na última quarta-feira (14), acende um alerta para o setor empresarial diante dos possíveis impactos da redução da jornada de trabalho sobre os custos operacionais, as contratações e a competitividade dos negócios. Para a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), a mudança exige uma discussão mais ampla com os setores produtivos, especialmente em um cenário em que as empresas já enfrentam dificuldades para contratar mão de obra e absorver despesas adicionais. “Uma mudança estrutural na jornada de trabalho, com impactos diretos sobre a organização das empresas e o funcionamento da economia, exige responsabilidade, diálogo e uma avaliação aprofundada de suas consequências. Não se trata apenas de reorganizar escalas, mas de compreender como essa mudança poderá afetar a produtividade, a competitividade dos negócios, os investimentos e a capacidade de geração de empregos”, avalia o presidente da ACICG, Omar Aukar. A redução da jornada sem redução salarial poderá elevar os custos operacionais e aumentar a necessidade de contratação de trabalhadores para manter o funcionamento das empresas. O desafio tende a ser ainda maior para micro e pequenas empresas, que possuem menor margem para absorver despesas adicionais. Em setores que dependem de equipes presenciais e de funcionamento contínuo, a dificuldade de recompor os quadros de funcionários poderá levar à redução dos horários de atendimento, à limitação da capacidade operacional e à revisão dos modelos de negócio. “Também existe o risco de que parte desses custos seja repassada aos preços de produtos e serviços, com reflexos para os consumidores. Além disso, o aumento das despesas pode comprometer investimentos, dificultar a expansão dos negócios e afetar a abertura de novas vagas de trabalho. São possíveis consequências que precisam ser consideradas na definição das regras e na implementação da mudança”, ressalta Aukar. A pesquisa realizada pela ACICG com empresas de Campo Grande reforça a preocupação com os desafios de adaptação. Entre os entrevistados, 84,7% afirmam enfrentar dificuldades para contratar mão de obra, enquanto 44,8% estimam que precisarão ampliar suas equipes para manter a operação em uma escala 5×2. Os resultados evidenciam que a transição poderá exigir esforços diferentes de acordo com o porte da empresa e as características de cada atividade econômica. Para a ACICG, a implementação da mudança precisa considerar não apenas as relações de trabalho, mas também os efeitos sobre o ambiente de negócios e a prestação de serviços à população. Atividades como comércio, saúde, segurança, transporte e serviços condominiais dependem de equipes organizadas em escalas específicas, e a necessidade de reestruturação poderá repercutir no funcionamento e no custo desses serviços. “É necessário avaliar os impactos sobre a sustentabilidade das empresas, a manutenção e a criação de empregos, a competitividade e a continuidade dos serviços prestados à sociedade. Melhorar as condições de trabalho é uma pauta relevante, mas uma transformação dessa dimensão precisa ser acompanhada de planejamento, diálogo efetivo com o setor produtivo e regras que considerem as particularidades de cada atividade econômica. O objetivo deve ser evitar que uma mudança nas relações de trabalho comprometa a atividade produtiva, os pequenos negócios e, consequentemente, a própria sociedade”, conclui o presidente.