Junho registra queda no Índice de Negativação do Comércio da Capital

Análise do comportamento histórico do emprego formal no município, comparado com a inadimplência, demonstra que existe correlação entre a queda das vagas e a falta de pagamento no vencimento

O Índice de Negativação do Comércio (INC) apurado pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) encerrou o mês de junho em 32 pontos, três abaixo do indicador de maio (35) e cinco pontos abaixo do mesmo mês em 2016 (37). O Índice de Recuperação de Crédito (IRC) foi de 55 pontos, contra 45 em maio, mas ainda abaixo do índice registrado no mesmo período de 2016, que foi 63 pontos.

Metodologia – Considerando que a sazonalidade é uma característica da atividade comercial, tanto o INC quanto o IRC foram desenvolvidos com base fixa definida pela média do desempenho do ano de 2014. Portanto, os valores acima de 100 pontos são os que ultrapassam a média obtida no ano de 2014, e os valores abaixo de 100 estão aquém da média.

“É, sem dúvida, uma boa notícia se tomada isoladamente, mas ainda assim, não parece um comportamento muito consistente. A linha vermelha do gráfico continua nos níveis históricos apresentados antes de 2014, sinal de que estamos deixando para trás a irresponsabilidade financeira, mas não é conveniente descartar os cuidados convencionais”, explica o economista da ACICG, Normann Kallmus.

O IRC/ACICG, no gráfico representado pela linha verde, em junho de 2017 foi de 55, contra 45 em maio. Kallmus explica que não é clara a razão para tal comportamento, considerando-se que tivemos outra queda no número de empregos formais, mas pode-se especular que exista alguma relação com a liberação do FGTS. “Tivemos no mês de junho um aumento de 385 títulos no estoque de inadimplidos. Em junho de 2016 o aumento foi de 630 títulos. No semestre, registramos um crescimento de 7.167 títulos vencidos e sem pagamento”, expõe.


Uma análise do comportamento histórico do emprego formal no município, comparado com a inadimplência, demonstra que existe uma forte correlação entre a queda das vagas e a falta de pagamento no vencimento. “Considerando isso, é lógico inferir que o desempenho do setor poderá ser beneficiado com as mudanças na legislação trabalhista”, avalia o economista.

Emprego Formal

As condições para determinar quão sustentável é o desenvolvimento econômico dependem também do nível de emprego da economia local. Os dados apresentados são os mais recentes oficiais do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do MTE), o que implica dizer que não estão computadas as ocupações informais.

No gráfico, as barras azuis representam as admissões e as barras laranja, as demissões. A linha vermelha representa a diferença entre as duas. Novamente registramos queda nas vagas do mês de junho, o que totalizou um resultado de 584 vagas a menos no semestre. “Em 2016 a queda registrada foi de 1.992 vagas no período, mas, embora o número do ano corrente seja “menos pior” do que o de 2016, evidentemente continuamos sofrendo os efeitos deletérios da gestão desastrosa dos últimos governos”, compara Normann Kallmus.

“Perdemos, nos 20 dias úteis de junho, 337 vagas, ou seja, quase 17 por dia. Nos últimos 12 meses foram fechadas 4.324 vagas e em 24 meses, 13.426. A flexibilização da legislação trabalhista deverá possibilitar uma reversão nessas expectativas. Sem investimento, não há novos empregos. Sem segurança jurídica, não há investimento”, finaliza.